Confesso que um dos meus maiores medos em relação a imigração é o domínio (ou o não-domínio, no caso) da língua. Eu acho que uma das piores coisas que pode acontecer a uma pessoa é não conseguir se expressar, é não poder comunicar com segurança e exatidão seus pensamentos e sentimentos.
E também não é nem um pouco legal ficar com cara de paisagem quando alguém fala e você não entende bulhufas. Em Montréal eu tive muitas experiências positivas quando tentei conversar com as pessoas. Geralmente elas levavam super de boa o fato de sermos turistas, falavam bem devagar quando percebiam nossa cara de tacho quando não entendíamos e eu não guardo nenhum trauma .
Mas eu imagino que a coisa no mercado de trabalho deve ser muito diferente porque nenhum chefe vai ficar falando com o subordinado como quem fala com uma criança de 5 anos, então eu acho bom a gente começar a se mexer e ralar baaaaastante. Aqui em casa, ao longo do tempo, montamos um arsenal. Além dos livros de literatura em francês, que servem para enriquecer o vocabulário, temos também muito material para o estudo da língua francesa. Isso sem falar nos filmes e seriados que assistimos para treinar os ouvidos.
Essencial para quem quer construir frases gramaticalmente corretas, com sujeitos, verbos e cia todos em seus devidos lugares é a Grammaire Progressive du Français. Ela explica o conteúdo tintin-por-tintin e oferece muitos exercícios para você treinar o que acabou de aprender. É essencial porque você faz tantos exercícios que o negócio gruda na sua cabeça. Também é boa como obra de referência, daquelas para ter em casa e consultar só de vez em quando, na hora que bater a dúvida sobre como escrever tal coisa.
Outro amigão é o Le Robert Micro. É um dicionário Francês-Francês que utilizamos muito para construir o significado da palavra consultada. Dizem que é uma ótima maneira de internalizar a língua porque você tem que ler a palavra, raciocinar e fazê-la surgir na sua cabeça. Dizem. É claro que não podemos usar o Robert pra tudo, principalmente quando queremos saber como é tal palavra em francês. Aí vai o Larousse de sempre, Português-Francês. Ajuda muito também porque ele tem um vocabulário bem legal, é raro eu procurar uma palavra e não ter.
Agora um dos meus preferidos, de longe, é o Visual Bilingual Dictionary. É MUITO legal! No dia que descobri esse treco na Cultura, levei pra casa na hora e foi baratinho, uns 28R$. Esse livrinho tem simplesmente o nome de TUDO o que você quer saber em francês e não sabe. E ele é divido por seções: tem de maquiagem a maquinaria pesada, de sementes a profissões, de alimentação a instrumentos musicais. Mas não é passando por cima, não. É tudo extremamente detalhado! Medicamentos, frutas, temperos, doenças, partes de carro e da casa, tudo com uma riqueza de detalhes incrível. Inclusive tem coisas lá que eu nunca nem sonhei em saber o nome em português. Ah, claro! Como é Visual, ele não está em ordem alfabética, ele tem as fotos de todas as coisas que descreve em francês e em inglês. Esse eu vou levar pra Montréal na minha mala de mão! =D
Para enriquecer o vocabulário eu adquiri também o Vocabulaire Progressif du Français, da mesma coleção da gramática. Este eu não uso muito, tenho uma certa preguiça, mas é muito bom. Ele tem lições temáticas onde você aprende o nome das coisas dentro de um contexto e faz exercícios de fixação depois. Por exemplo, na seção de eventos climáticos você vai aprender as nuances do negócio, aprender várias palavras para se referir a eles, etc. Vale a pena.
E falando em nuances, eu estou super feliz com a mais nova aquisição do Rafael neste sentido: o Le Robert des Synonymes, nuances et contraires. Ele é simplesmente magnífco porque você aprende quais palavras são mais adequadas para determinadas situações. Vai ser AQUELE companheirão na hora de escrever textos, pois é cheinho de exemplos.
Esses aí são os que lembro de cabeça, mas temos outros. Ultimamente, como estamos treinando para a entrevista, nosso foco tem sido o Écoute e o Oral. Temos assistido muita coisa em francês, escutado músicas, ensaiado frases. Mas é super importante ter uma bagagem de estudo da língua para compreender e para se expressar.
Lembrando que ninguém precisa sair comprando um monte de livros para aprendizagem assim, d’uma vez. Eu já estudava francês antes de o plano de imigração se tornar realidade por isso fui adquirindo muita coisa ao longo do tempo. O importante é ir fazendo os exercícios aos poucos, se dedicando um pouquinho a cada dia. Não adianta nada adquirir isso tudo e muito mais e não ter tempo para se dedicar. Eu sempre gosto de frisar aqui que o domínio da língua francesa vai te poupar um tempão na adaptação ao chegar ao Québec. Todos os depoimentos de imigrantes que eu leio por aí afirmam que por mais que você estude, nunca é o suficiente e que quando você chega no seu destino, descobre que está em um nível inferior ao que acreditava estar. Então vamos nos preparar minha gente!







Olá Lídia!
Obrigada pelo recado deixado lá no nosso blog. Gostei muito do seu post sobre o arsenal para encarar o francês! Já fiquei apaixonada pelo dicionário com imagens e pelo Robert sobre nuances! Vão entrar na minha lista tb! Aquele tipo de cachecol que vc viu no blog é feito em uma tábua, comprada em casas de produtos de artesanato. Pela internet vc encontra instruções, mas é bem fácil de fazer. Se quiser, posso ensinar quando formos vizinhas em breve.
Abs,
Zuzu.
Oi, Zuzu!
Seja bem-vinda ao Québecquando! Que bom que você gostou do Post, essas coisas são para serem compartilhadas mesmo. Sou super preocupada com esse negócio de falar francês direito, daí acabo escrevendo para desabafar! Hehehe…
Nossa, você estão esperando há 11 meses, imagino que quando chegar a nossa vez, vamos ficar uns 15 meses na fila… Puxa vida, esse Consulado podia parar de ser tão enrolado, né?
Quanto aos cachecóis, acho que vou querer aprender, sim! Achei mó maneiro aquelas tábuas.. :)
Abraços e boa sorte pra gente!
Lídia.
Já botei uns 2 ou 3 livros desse na minha lista de compra. Vou passar na Cultura assim q tiver um tempinho. Valeu!
A Cultura é tudo de bom, né Thiago? Eu fico doidinha lá! :)
Abraços,
Lídia.
Olá casal …
Realmente um excelente ” arsenal “.
Acredito que a coisa mais importante que o imigrande deve levar na bagagem é o conhecimento linguistico do francês e inglês . Nos relatos do pessoal que está lá , sempre vejo que o quesito comunicação pesa demaaais !!
Como dica pessoal, nós utilizamos muito o livrinho Bescherelle conjugaison, a forma de consulta é bem simples e é excelente para aqueles ” brancos” que dão ao conjugar alguns verbos. Existem tb as versões grammaire orthographe.
Abraços
Julian
Oi, Julian!
Nossa, esqueci demais de colocar o Bescherelle aqui! Uso o coitado até não poder mais, ele vai junto comigo pras aulas na Aliança porque me ajuda muito na hora de escrever redações (sou craque em confundir as terminações das conjugações na hora de escrever). Mas as versões de gramática e ortografia eu nunca utilisei, são boas? Vocês costumam usar?
Abraços,
Lídia.
Pois é, o Bescherelle quebra muuuito o galho mesmo.rsrs. Então, na verdade as outras edições grammaire e orthographe eu nunca utilizei, uso somente a conjugaison mesmo.
Abraços
Julian
Ô vontade a minha de poder estudar mais! :(
Não que eu esteja estudando pouco, pelo contrário. Estou exausto com esses dois intensivos nas duas línguas… Mas as vezes parece que nunca vou aprender nenhuma das duas línguas. Tenho passado maus bocados tanto em inglês, quanto em francês, e as vezes bate aquele desânimo + desespero, por “não estar” aprendendo, ou pelo menos ter esta sensação…
Fazer o que né? Quem mandou nascer lerdo? rs..
Vou guardar as dicas!
Abraços!
Ai, Felipe! Que lerdo que nada!
Eu sei muito bem o que é essa sensação de “não estar evoluindo” na língua, mas isso é apenas um sinal de que você tem que passar para a próxima fase no jogo! Rsrsrs… Eu senti muito isso com o Inglês: tava mais estudando gramática e lendo literatura, então agora passei a assistir vídeos com legenda em inglês também. Meu próximo passo é assistir vídeos sem legenda. Com o Francês foi assim também, mas como me dedico mais, tenho a impressão de estar avançando mais também…
Você ainda está na Natural English? Quanto custa mais ou menos o curso lá?
Abraços,
Lídia.
Valeu pelas dicas…
Principalmente aquele livro que foi comprado na Cultura, vou passar lá tb!
A gramática é muito boa, eu a tenho.
Bem, vamos que vamos… estudar muito e nos preparar para esse processo tão longo…
Abraços,
Luciana
Oi, Luciana! =)
Vocês ainda estão estudando na Aliança Francesa?
Abraços,
Lídia.
Olá! Sou nova nos comentários, mas já acompanho o blog, de longe faz um tempo.
Gostei da bem da seleção! Fiquei bem curiosa com o bilingual dictionary, vou procurar amanhã mesmo! Rsrs! Os outros eu já conhecia, são ótimos mesmo! O legal da grammaire progessif é que tem de fato, os mesmos itens nos 3 niveis, assim a gente aprende da forma mais fácil e simples e no intermediário e avançado vai aprofundando!
Fica a dica do famoso Bescherelle! Salvador da pátria e dos verbos!!! Kkkk! Não estudo sem ele!
Se puderem dar dicas de séries, eu adoraria! No meu curso tem algumas, mas ta meio dificil de entender sem legenda em francês.
;) Até a próxima!
Layla
Oi, Layla! Seja bem-vinda aos comentários! =)
Então, esse dicionário visual me conquistou desde o primeiro momento quando o encontrei na Livraria Cultura. Ele não é gigantão, ao contrário, tem um formato legal de manusear e foi baratinho na época.
Nós também estamos procurando seriados do Québec pra assistir, mas não tá fácil não, ainda mais com legendas! Rsrsrs… Mas o Rafael fez um post aí em cima, sobre um site onde podemos assistir filmes quebecas, muitos curtas e com legenda. Dá uma olhadinha! ^^
Beijos,
Lídia.
Eu olhei e já recomendei! Rs!
Na verdade eu já conhecia, passei la na frente algumas vezes, mas nunca entrei. Pena!
O que eu não fazia ideia mesmo, era do site! Muito Bom!
;)
Layla
Oi Lídia,
ótimo arsenal. Eu também trabalho bastante com a gramática, e to me contorcendo sem o becherelle. Sou ótima em confundir as terminações tb kkkkk. Agora essa dica do dicionário visual foi perfeita. Eu ja conhecia mas de outra editora que não lembro o nome agora, mas além de muito mais caro ele não tinha inglês e francês numa mesma edição.
São os próximos da lista de compra.
Beijos.
Vivi
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