Olá, povo! Pois é, só mesmo um post de um certo Gato e um comentário de um certo Ornitorrinco para me fazerem interromper o tempo sagrado da minha dissertação e voltar a escrever nesse blog. Ia até só fazer um comentário no post do Gato, mas como sempre, acabo me empolgando e a coisa ganha um tamanho tal que é melhor aproveitar a chance e movimentar um pouco esse blog.
Tudo começou com o Gato escrevendo sobre a francisation no Québec, e fazendo uma rápida crítica ao excesso de sistematização nas aulas, crítica que por sua vez, o Ornit rebateu. Bom, quem quiser, leia o blog que não vou repetir tudo aqui ;-)
Tive uma discussão sobre essa coisa da sistematização da educação com a Lídia a pouco tempo atrás, e com uma amiga ontem mesmo. Acho que isso de “resultados da educação formal” não só é bastante subjetivo (o que são os resultados?), como também depende da maneira como essa educação formal é aplicada.
Acho que no Brasil, por mais que se ouçam discursos aqui e ali de “valorizar o indivíduo”, na prática é o que menos se faz. Se um professor chega numa sala de escola pública, vê uma galera na quinta série numa faixa entre os 10 e os 18 anos de idade, com 40 alunos na sala, o que ele faz? Ele trabalha com a média da turma e dá aula tomando a média como parâmetro. Não sei se estou levando a coisa para outro lado, mas associo muito essa coisa de sistematização a isso de trabalhar com médias, essa coisa abstrata que sequer existe na vida real. Baixa as expectativas e os parâmetros e obriga a galera a ficar toda em um mesmo nível, igual, independentemente do que cada um queira, saiba ou goste de fazer.
Tudo isso para chegar enfim numa série de artigos que publicaram na Cyberpresse há pouco tempo sobre o famoso Unschooling, déscolarisation, ou desescolarização, proibida no Brasil mas liberada no Québec. A matéria era massa, falava de experiências de algumas pessoas, dos prós e contras da desescolarização. Mas se tinha um aspecto no qual era unânime, era no absolutamente melhor rendimento dos desescolarizados (comparados aos escolarizados) quando, já mais velhos, iam frequentar algum tipo de escola, ou principalmente, universidades em geral. E isso, numa educação baseada 100% na individualidade e no incentivo a criatividade.
Dito isso, que fique claro. Acho sensacional que o Québec permita a déscolarisation, mas não estou fazendo nenhuma proposta de que isso seja política pública de educação ou coisa do gênero, principalmente no Brasil. Mas é bom pra pensar…
Ps.: Acho que a discussão extrapolou bastante o ponto original do Gato, eu sei, mas me veio isso na cabeça, tinha que aproveitar o gancho ;-)

